Velozes, audaciosos e furiosos: acidentes com motos crescem 81% em Cuiabá

As motocicletas no trânsito de Cuiabá estão se tornando cada vez mais um problema sério para a saúde pública. Rápidos, velozes e conduzindo suas motos com uma fúria implacável, eles acabam como  a principal vítima da própria  imprudência e alvo de queixas e revolta dos condutores de automóveis. Dados da Secretaria de Saúde da Capital mostram que nos quatro primeiros meses deste ano houve um aumento de 81% no número de acidentes envolvendo condutores de motocicleta.

Solução para o caótico trânsito da cidade, as motocicletas deixaram de ser uma válvula de escape para se transformar num risco de vida. Hoje a média diária de acidentes envolvendo motociclistas é de 18 por dia e a faixa etária é de 20 a 39 anos. O débito dessa conta é uma alta movimentação do Serviço Ambulatorial de Emergencia (Samu), ocupação do Pronto Socorro e acúmulo de pessoas na fila de cirurgia para correção de fraturas, além de um número crescente  de mortes.

O elevado índice de motos aumenta não só o volume de trânsito nas principais vias da cidade, mas também os acidentes e, em consequência, as taxas de mortalidade. O número de acidentes com mortes envolvendo motociclistas é quase o dobro do registrado com automóveis.

Em Cuiabá é comum encontrar motociclistas trafegando nos principais cruzamentos, a maioria em serviço. O modo de vida cada vez mais acelerado, o alto preço dos combustíveis, congestionamento no trânsito, a escassez de vagas nos estacionamentos, além do baixo custo de aquisição e manutenção são fatores que levam muitas pessoas a trocarem o carro e o transporte coletivo por uma moto.

Com a intenção de não chegar mais atrasado ao trabalho o vendedor Fabrício Andrade adquiriu uma moto há seis meses. “Quando pegava ônibus eu costumava gastar mais ou menos uma hora para chegar ao trabalho, com a moto gasto 30 minutos”. Apesar de admitir que o meio de transporte ofereça alguns perigos, ele acredita ter feito um bom investimento. “A única desvantagem é que a moto é mais perigosa, e o risco é maior”, explica.

Entretanto, o crescimento da popularidade das motos veio acompanhado de uma enxurrada de reclamações de motoristas e pedestres. “A maioria é folgado. Eles não respeitam a sinalização, buzinam toda hora, passam nas ruas em alta velocidade, tomam os espaços nas vias públicas como se fossem só deles e ainda acham que tem razão”, reclama o motorista Sergio.

A frota de motos em todo país está crescendo de modo acelerado. O inchaço que se instaurou nas ruas já estabeleceu uma situação de calamidade em vários estados. E Mato Grosso não fica atrás. De acordo com dados do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran), foram cadastrados no Estado 417.891 mil motos em circulação, sendo 64.330 delas na Capital, segundo levantamento realizado em agosto de 2011.

O aumento das vendas de motocicletas em Cuiabá também superou os emplacamentos de carros realizados nos oito primeiros meses de 2011 na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram comercializadas, entre janeiro a agosto deste ano, 6.322 motos e em 2010 houve o registro de 5.374, o que representa um aumento de 17,64%. Já a compra de carros apresentou um aumento de apenas 1,72%.

Já os motociclistas rebatem as críticas e dizem que há muita discriminação. “Os motoristas não respeitam e não dão espaço para ultrapassar. As pessoas sentem medo quando paro a moto ao lado do carro e fecham a janela imediatamente. Também já fui parado várias vezes pela polícia para mostrar documentos”, desabafa o motociclista Jorge Luiz.

No entanto, até os motociclistas concordam que a agilidade do veículo contribui para cometer alguns deslizes. “A moto é pratica e rápida. Quando há congestionamento vou “cortando” as ruas e carros”, admite o comerciante Rodolfo.

Com o objetivo de reduzir os números de acidentes envolvendo motociclistas, o vereador Pastor Washington Barbosa (PRB), propôs um projeto de lei que institui no calendário oficial de eventos de Cuiabá a “Semana Municipal de Prevenção a Acidentes com Motociclistas”.

“O projeto tem como principal objetivo salvar vidas humanas através de campanhas educativas e técnicas de condução defensiva de motociclos, acatando o que já existe na legislação vigente. E, também, propicia a criação de outras leis que melhorem as condições de pilotagem e eduquem os condutores de motocicletas a terem uma conduta correta no trânsito”, justifica o vereador.

 

Redação Thais Tomie